"Uma Igreja viva para o Deus vivo!"

O Templo Memorial Batista – II


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Roberto Torres Hollanda

 

“Quanto a esta casa que tu estás edificando,se andares nos Meus estatutos e executares os Meus preceitos,e guardares todos os Meus mandamentos, andando neles,confirmarei para contigo a Minha palavra” (I Reis 6: 12)

 

A CONSTRUÇÃO

 

Maxey Jarman comunicou à Foreign Mission Board (junta de missões estrangeiras) da Southern Baptist Convention(convenção batista do Sul dos Estados Unidos da América) que tinha doado 300 mil dólares para a construção de um templo em Brasília.

A referida junta nomeou o missionário William Hafford Berry como relator da Comissão de Construção. Era desejo da Comissão que a obra ficasse pronta em dois anos, a partir de abril de 1960. Essa Comissão atuou desde 1958 até 15 de dezembro de 1962.

Em 1959 foi realizado um concurso para o projeto arquitetônico do Templo Memorial Batista; de âmbito nacional, entre profissionais evangélicos, foi vencedor o Dr. João Walfredo Thomé, arquiteto e engenheiro civil batista, de São Paulo; nos fins de semana, vinha a Brasília; depois que veio morar no terreno da futura Igreja, a construção do Templo teve acelerado o seu andamento.

O Templo teria estilo moderno, de linhas sóbrias, em harmonia com o panorama arquitetônico da cidade e “dentro do critério de simplicidade e nobreza”, defendido e exigido por Oscar Niemeyer para aprovação das plantas de edifícios particulares. O projeto de Walfredo Thomé incorporou ao desenho tradicional dos templos batistas no Brasil seis elementos novos: 

 

1) uma fachada envidraçada; 

2) uma rampa para acesso ao vestíbulo; 

3) uma marquise protegendo a rampa;

4) um santuário (salão de cultos) sem janelas; 

5) iluminação natural do santuário por meio de tijolos de vidro branco transparente;

6) uma torre de mármore, tendo uma cruz dentro dela

 

No Rio de Janeiro causou espécie, porque, até 1960, nenhum templo batista tinha exibido a cruz em sua fachada.

Em maio de 1960, logo depois da inauguração da cidade de Brasília, no terreno do SGAS-905, foi lançada nova pedra fundamental.

A primeira palavra oficial de homenagem aos pioneiros da edificação do Templo e da construção da Igreja foi proferida pelo pastor Éber Vasconcelos somente 21 anos depois; no culto comemorativo do aniversário da Igreja, em 26 de julho de 1981, ele declarou: “neste lugar onde estamos nesta noite, aqui mesmo, debaixo deste piso, está uma pedra fundamental, lançada por homens que olhavam para o futuro e visualizavam o progresso da história do Cristianismo. Deixaram aqui as marcas da sua fé em Jesus, da sua obra missionária, para plantar no coração do Brasil a semente santa do Evangelho”.

Procedentes do Rio de Janeiro, onde se casaram, na Primeira Igreja Batista, em 15 de julho de 1961, Nieda e Roberto Hollanda no dia seguinte chegaram a Brasília.

No dia 06 de agosto, tomaram um ônibus da TCB na Asa Norte e saltaram na Via W3-Sul. Andaram a pé e encontraram o deslumbrante Templo Memorial, embora encoberto pelos andaimes. A Via W5-Sul não era asfaltada, não tinha calçadas, nem tinha iluminação pública.

 

Durante a construção do Templo, a Igreja reunia-se num barraco de madeira. 

À entrada, receberam a primeira edição do Boletim Dominical. Participaram do culto. Pregou o pastor James Musgrave. Cantou o coro, sob a regência do Irmão João Walfredo Thomé. Nesse dia, 174 pessoas estavam registradas no Rol de Membros.

À esquerda do barraco ficava o Templo, que visitaram até onde era possível. Roberto ficou intrigado por uma placa, localizada próxima da rua, com os seguintes dizeres: “TEMPLO MEMORIAL BATISTA – Este Templo se levanta como memorial perpétuo às quatro liberdades proclamadas pelo presidente Roosevelt, e como sinal dos que foram perseguidos e mortos

em defesa dos princípios batistas e cristãos. LIBERDADE RELIGIOSA – LIBERDADE SOCIAL – LIBERDADE POLÍTICA – LIBERDADE ECONÔMICA – “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” – João 8: 32”.

 

Ele, que estava na calçada, juntamente com o ministro do Supremo Tribunal Federal Antônio Martins Villas Boas e o deputado federal Aurélio Vianna, leu em voz alta os dizeres da placa; então o Dr. Villas Boas declarou: “Acho que este Templo deve ser dedicado em honra e para a glória de Jesus Cristo”. Essa placa, colocada em maio de 1960, no início da construção, permaneceu no local até pouco antes da inauguração do Templo.

 

Em 31 de dezembro de 1961 foi utilizado, pela primeira vez, o batistério do Templo. A construção durou 31 meses, de maio de 1960 a novembro de 1962. Numa reportagem, o jornalista Ézio de Souza Pires informou que mais de mil trabalhadores passaram pela obra. Vários operários converteram-se e tornaram-se depois membros da Igreja. Nunca houve um acidente grave, apesar da execução de serviços com grandes riscos de vida. Vieram 300 metros cúbicos de cascalho, aplicados na construção; 1.500 metros cúbicos de terra e 30 caminhões cheios de grama, plantada ao lado do Templo; o granito veio do Rio de Janeiro, as portas, do Espírito Santo, o “pau-ferro”, madeira para o assoalho, de Goiás, os materiais industrializados, de São Paulo.

Em julho de 1963, o custo da construção foi estimado em cerca de 100 milhões de cruzeiros antigos.

Com a doação de Mr. Maxey Jarman foi adquirido o terreno, construído o templo, comprado o piano de concerto “Essenfelder” e confeccionadas a bancada e outras mobílias. O saldo da verba foi empregado no equipamento da secretaria, da tesouraria e do gabinete pastoral.

 

Brasília, 02 de Abril de 2017